Resumo Fernanda Liberali

Por uma perspectiva vygotskiana brasileira, social e politicamente engajada 

Fernanda Liberali

PUC-SP/LAEL-FORMEP

O mundo vive um momento especialmente tenso historicamente. As relações internacionais e nacionais estão marcadas por violência, descrença, abandono, desespero, desamparo, desumanização, exploração. Como diz um importante pensador brasileiro da Teologia da Libertação, “há uma abissal distância entre o que somos e o que queremos ser” (Frei Betto, 2017). A contradição parece ter se instaurado como base do nosso viver. Não como meio de transformação, mas como forma de paralisia. Nesse contexto, a pesquisa de caráter sócio-histórico-cultural, como iniciada por Vygotsky, parece desafiar nossos anseios. Mais uma vez, como na época de Vygotsky, é preciso muita força e coragem para seguir lutando, em colaboração, por um mundo melhor. Mais uma vez, a contradição precisa se tornar a força necessária, não para gerar a paralisia, a destruição ou a alienação, mas sim o movimento de transformação. Freire (1970/1987) apontava para a necessidade de vivermos a utopia e a busca do inédito viável. Em outras palavras, viver um projeto que fosse além das situações-limites colocadas pela realidade imediata, cuja força estivesse em soluções realizáveis, porém ainda não conhecidas ou concebidas. Essa condição pressupõe a imersão crítica dos indivíduos em suas realidades conhecidas e emersão ampla em contextos múltiplos de compreensão, que ampliam seus horizontes de percepção. Vygotsky e seus seguidores nos oferecem bases para repensar nossa realidade em busca colaborativa e crítica de formas de desenvolvimento para além de quem somos e do que podemos. Mais do que nunca, parecemos precisar dessas lições, para irmos além. Esta apresentação, do campo da Linguística Aplicada, exibirá formas concretas de como os estudos sócio-histórico-culturais têm oferecido caminhos para superarmos as contradições de forma conjunta, para seguirmos em frente, em busca do inédito viável. Assim, poderemos nos tornar agentes com mobilidade (BLOMMAERT, 2014) com potencialidade de transformar as condições de viver de nossas comunidades.